Eu quero uma casa, um quintal, companhia
sair desse "ap", solidão, agonia
tomar chimarrão no frio do sul, alegria
admirar os pássaros, céu azul, emoção
te ver de perto, tão perto, sorrindo
e ter amigos, eu não quero ser o único
a dividir momentos lindos contigo
e nunca mais ficar distante de ti
meu coração não aguentaria de novo
acordar e perceber a ilusão
que a gente cria e acredita piamente
tornando-se doente, dependente
de mais frustração e sofrimento e ciente
de que é possível se curar, mas ausente
de atenções e carinhos, palavras doces
abdicar da esperança existente
e muito próximo de chegar ao fim
da morte de olhos abertos
mirar o sul e enxergar Erechim
de céus, sóis, campos e frios
perceber que é verdade e então
acreditar nos dias melhores que vê
dedicar tempo e no último brio
dar a volta por cima e vencer
pra viver a vida perfeita
interrompendo o ócio doentio
praticar as vocações concedidas
envolto pelos maiores amores
o chimarrão, o frio, a Raquel
gaudérios e tradições gauchescas
em verdade, não mais ilusões
saudades sinceras sulistas
ainda volto pra ti meu Rio Grande
não importa tão longe eu esteja
sou teu fiel filho tradicionalista
espere um pouquinho e veja.
Agosto 30, 2008
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