Junho 20, 2008

Outro um

Um nome, uma aventura
uma lembrança, um caminho
uma esperança, uma criança
uma aventura, uma viagem
um encanto, em um canto
um canto, de um pássaro
um passo, de um compasso
um compasso, de uma criação
um ensaio, uma ilusão
um aprendizado, uma lição
consciência, visão
uma vida, lembrança
uma história, imagem
um ser, saber
aprender, viver
o ar, preservar
voar, respeitar
um vôo, um conto
um desconto, vela
um mar, caravela
navegar
uma fronteira, ultrapassar
limites, desbravar
um cultivo, manejar
um sustento, respeito
no peito, um orgulho
um mergulho, no mar
imaginar, apreciar
uma viagem, sem sair
do lugar, para ir
para vir, foi, veio
em devaneio, ficou
melhorou? satirou
ganhou
um beijo, numa face
numa outra, reclamou
uma leveza, beleza
admirou, encantou
um canto, gostou
acabou?
não acaba, um vai
um gosta, um encosta
um cai
um ajuda, outro gosta
um pede, outro cede
um ensina, outro em cima
um não, outro sim
solidão, enfim
uma janela, uma vista
um salada, outro mista
outro dista, um noite
um quis, outro diz
um beijo, aprendiz
um real, outro su
um metade, outro inteiro
um outro, outro um
um fuga, outro fica
separou? acabou.

Então tchau

Acabou mais uma vez
e esse final
finda de forma cabal
de prova a testar os limites
que se fazem agora tão tristes
que a imaginação não pode imaginar

termina da mesma forma que o início
de sereno amor e suplício
de olhares cruzados, meu ofício
A'Deus deixo o resquício

então tchau, acabou, já era
os momentos juntos que houvera
te vejo numa próxima, quem sabe
a primavera seja oportuna
pra lhe ver ainda mais bela

meu bem, desculpe qualquer coisa
que tenho ou não tenha eu feito
a despeito de nossa relação
apenas de olhares espreitos
por hora fico satisfeito
de ter lhe o amor no peito

acabou, mas ficou a admiração
a satisfação de ter lhe conhecido
agora vamos em nossos caminhos
aos teus olhares sou agradecido.

Junho 08, 2008

Até

Sou pior que a imagem de um cachorro abandonado agoniado com fome coagido no canto escuro com medo dos animais das trevas carnais com olhar pedinte corpo encolhido coração sofrido de amor incorrespondido delirante reflexivo cachorro perdido sem água sem comida no frio bandido que fere destrói consome a chama quente do amor prometido ao som de valsa e piano e violino e gargalhadas a vida miserável continua tão intensa que se fosse piada seria vivência de verdade contínua tragédia incapaz de escrever em destoância enloquecedora que mantém acessa a chama duradoura de que você minha dona vem me recolher. Se não vier esta noite eu entrego a sanidade à saudade ao tempo inimigo meu pior castigo meu melhor amigo brado pertinente ardente transmuta nos medos que a puta solidão constrói e corrói o cerne o âmago provoca a ilusão a luz do dia não existe ao cachorro abandonado melancólico bebe da gota da água da calha imunda que pinga propositalmente no silêncio da quase morte que se aproxima disfarçada de aranha ratazana lepra vagabunda misericórdia ausente como a faca pra tornar o momento sufocante menos delirante suicidado e findado a vida valente suspira até o último segundo por mais vida não se valendo tirar da própria vida o resto de vida que existe por pior que seja esquecida o esquecido espera devagar a morte irônica disfarçada do meu maior desejo você minha dona do meu último olhar. Cachorro não temas por ter escolhido tua imagem a minha semelhança posto que ainda há esperança a ti e eu já espero a mudança desta vida à morte que se eu tiver um resto de sorte me tomará com a ânsia que minha dona não teve. Coma da minha carne pútrida enquanto em coma morro transito desta pra não sei qual sem pedir socorro um grito no silêncio é Carrer.